A Polícia Militar afastou das atividades os quatro policiais envolvidos na ocorrência que terminou com a morte do médico Luciano Lopes Pastor, de 52 anos, no último domingo (18), no bairro Jardim Aeroporto, em Catanduva, no interior de São Paulo. A medida foi adotada enquanto são realizadas as investigações sobre as circunstâncias do confronto.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Regional, a corporação apresentou novos detalhes da ação policial, que foi registrada por câmeras corporais utilizadas pelos agentes. As imagens e os demais materiais coletados foram encaminhados para análise pericial.
O major PM Mário Augusto Ferreira de Freitas apresentou a versão oficial da Polícia Militar sobre a ocorrência e explicou os procedimentos adotados pelas equipes.
POLÍCIA FOI ACIONADA APÓS DENÚNCIA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
De acordo com o major, a ocorrência teve início após a esposa do médico acionar o telefone de emergência 190, relatando estar sendo ameaçada pelo marido.
Durante a ligação, a mulher demonstrava nervosismo e preocupação com a própria segurança e a de seus familiares. Ela também teria informado que o médico possuía armas de fogo e que não aceitaria se entregar à polícia.
Diante da gravidade da situação, equipes da Polícia Militar foram encaminhadas à residência, onde realizaram o isolamento da área e solicitaram apoio da Força Tática.
Segundo a corporação, os policiais iniciaram uma tentativa de negociação a partir do portão do imóvel, mantendo uma distância aproximada de dez metros do médico.
PM AFIRMA QUE MÉDICO EFETUOU DISPAROS CONTRA OS AGENTES
Ainda conforme a versão apresentada pela Polícia Militar, durante a negociação, Luciano teria se dirigido até um cofre e retornado portando uma arma de fogo, além de munições guardadas no bolso da bermuda.
Em determinado momento, o médico teria apontado a arma para os policiais, mas inicialmente não realizou disparos.
As equipes continuaram tentando estabelecer diálogo. Segundo o major, a negociação durou pouco mais de dez minutos.
Posteriormente, Luciano teria se posicionado atrás de uma coluna da residência, preparado a arma e efetuado dois disparos na direção dos policiais.
Diante da situação, os agentes reagiram e atingiram o médico, que caiu no chão.
Conforme a Polícia Militar, Luciano foi atingido por três tiros. Equipes de emergência foram acionadas, mas ele não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
CÂMERAS CORPORAIS REGISTRARAM A OCORRÊNCIA
De acordo com o major Mário Augusto Ferreira de Freitas, toda a intervenção foi registrada pelas câmeras corporais dos policiais envolvidos.
As gravações foram apresentadas à autoridade policial e incluídas nos procedimentos investigativos.
Além das imagens, os investigadores deverão analisar os vestígios recolhidos no imóvel, os armamentos utilizados e os depoimentos relacionados à ocorrência.
A documentação também deverá ser examinada pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário.
A Polícia Militar sustenta que os agentes reagiram diante de uma ameaça à própria vida e afirma que a intenção inicial era solucionar a ocorrência por meio da negociação.
Apesar da versão apresentada pela corporação, a legalidade e as circunstâncias da intervenção deverão ser avaliadas pelas autoridades responsáveis.
Os quatro policiais envolvidos permanecem afastados das atividades durante a apuração do caso.