As denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho praticamente dobraram na região de São José do Rio Preto após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado em 25 de outubro.
De acordo com dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), a região acumulava 41 denúncias neste ano, sendo 20 recebidas somente após a votação. Antes do segundo turno, eram 21 registros.
As informações constam de balanço oficial atualizado em 29 de outubro e acompanham o crescimento das denúncias também registrado em outras regiões do interior paulista.
AMEAÇAS DE DEMISSÃO E RETALIAÇÕES ESTÃO ENTRE AS DENÚNCIAS
Segundo o MPT, o assédio eleitoral pode ocorrer quando empregadores ou superiores hierárquicos pressionam trabalhadores por suas escolhas políticas.
Entre as situações que podem caracterizar a prática estão ameaças de demissão, dispensas motivadas pelo voto, recusa de contratação por posicionamento político e outras formas de constrangimento ou retaliação.
As situações podem ocorrer presencialmente, por mensagens ou em publicações nas redes sociais.
Mesmo após o encerramento das eleições, os trabalhadores continuam protegidos contra discriminação em razão de suas preferências políticas.
INTERIOR PAULISTA TAMBÉM REGISTROU AUMENTO
O balanço do MPT da 15ª Região, que abrange 599 municípios do interior de São Paulo, contabilizou 297 denúncias de assédio eleitoral ao longo de 2026 até a atualização de 29 de outubro.
Desse total, 148 foram registradas após o segundo turno, representando aproximadamente metade de todas as denúncias recebidas naquele ano.
Entre as regiões com maior número acumulado de registros estavam Campinas, com 68 denúncias, Ribeirão Preto, com 65, e São José do Rio Preto, com 41.
LIBERDADE DE ESCOLHA POLÍTICA DEVE SER RESPEITADA
O Ministério Público do Trabalho reforça que a liberdade de escolha política dos trabalhadores deve ser respeitada, independentemente das preferências dos empregadores.
A procuradora Marina Tramonte, coordenadora regional de combate à discriminação no trabalho, ressaltou que a autoridade do empregador não permite interferências nas convicções políticas dos funcionários.
O órgão destaca que demissões motivadas exclusivamente pela preferência política do empregado podem configurar prática discriminatória e resultar em responsabilização.
SAIBA COMO DENUNCIAR
Trabalhadores que sofreram ou presenciaram situações de assédio eleitoral podem registrar denúncias pelo site do Ministério Público do Trabalho, em www.prt15.mpt.mp.br ou www.mpt.mp.br.
O procedimento pode ser realizado de forma remota e sigilosa.
Para auxiliar nas investigações, a recomendação é reunir provas, como mensagens, capturas de tela, áudios, publicações em redes sociais e informações sobre possíveis testemunhas.
As denúncias recebidas pelo órgão ainda precisam ser apuradas, não representando, por si só, a comprovação de irregularidades.