O transporte rodoviário interestadual de passageiros enfrenta um déficit de aproximadamente 30% de motoristas em todo o país. O cenário tem levado empresas e entidades do setor a discutirem medidas para atrair novos profissionais e entender as mudanças no perfil da categoria.
Segundo a presidente da Abrati (Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros), Letícia Pineschi, a escassez de mão de obra é resultado de uma combinação de fatores que transformaram a profissão nos últimos anos.
Entre eles está a mudança no comportamento dos trabalhadores, que demonstram menor interesse em atividades que exigem viagens longas e pernoites fora de casa. "O motorista não está muito interessado em dormir longe de casa", afirmou a executiva.
De acordo com ela, muitos profissionais migraram para ocupações que permitem retornar diariamente para suas residências, como o serviço de transporte por aplicativo, táxi ou transporte coletivo.
Outro motivo apontado por Letícia está relacionada às novas competências exigidas pelo setor. Além da condução do veículo, os motoristas passaram a desempenhar funções ligadas ao atendimento ao público e ao uso de tecnologias embarcadas.
Por isso, segundo ela, alguns motoristas decidiram prestar serviços de transporte de cargas, atraídos por remunerações semelhantes e sem a necessidade de interação com passageiros.