Dois homens foram condenados a 22 anos e seis meses de prisão cada um pelo assassinato de Júnia Calixto, de 26 anos, morta a tiros na frente do filho de quatro anos, em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.
A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri na quinta-feira (5). Somadas, as condenações chegam a 45 anos de reclusão.
Segundo informações divulgadas pela Gazeta do Interior, os dois réus, de 21 anos, foram condenados por homicídio triplamente qualificado, corrupção de menores e fraude processual.
MULHER FOI EXECUTADA NA FRENTE DO FILHO
O crime aconteceu no dia 20 de agosto de 2024, no bairro João Paulo II.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, Júnia estava com o filho quando foi surpreendida por dois homens que chegaram em uma motocicleta.
Um dos envolvidos desceu do veículo e ordenou que a mulher colocasse a criança no chão. Em seguida, efetuou disparos contra a vítima, que morreu no local.
O menino, que tinha apenas quatro anos na época, presenciou o assassinato da própria mãe.
CRIME ESTARIA RELACIONADO À DISPUTA PELO TRÁFICO DE DROGAS
Segundo a Polícia Civil, o homicídio estaria relacionado a uma disputa territorial pelo tráfico de drogas na região.
As investigações identificaram a atuação de uma organização criminosa no bairro João Paulo II, com divisão de tarefas e hierarquia entre os integrantes.
Os conflitos entre grupos criminosos ficaram conhecidos como uma guerra de bairros e provocaram uma série de episódios de violência em Rio Preto.
ADOLESCENTE TERIA SIDO OBRIGADO A ASSUMIR O CRIME
Um dos pontos mais importantes da investigação foi a descoberta de uma tentativa de atribuir falsamente o assassinato a um adolescente.
Segundo a Polícia Civil, o menor teria sido coagido a assumir a autoria mediante promessa de vantagens e recebeu a arma utilizada no homicídio.
Entretanto, durante os depoimentos, o adolescente não conseguiu explicar detalhes importantes sobre a execução.
A análise de imagens de câmeras de segurança e outros elementos periciais demonstrou que ele não estava no local no momento do crime.
Com isso, os investigadores conseguiram contestar a falsa confissão e reunir provas contra os responsáveis.
INVESTIGAÇÃO FOI FUNDAMENTAL PARA A CONDENAÇÃO
O trabalho foi conduzido pela Delegacia de Homicídios da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic).
Segundo o delegado Roberval Macedo, a análise das imagens de segurança e a integração de diferentes investigações, incluindo a Operação Armagedom, ajudaram a esclarecer o assassinato.
O conjunto de provas foi apresentado durante o julgamento e contribuiu para a condenação dos dois acusados.
Os réus receberam penas de 22 anos e seis meses de reclusão cada um pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, corrupção de menores e fraude processual.
A decisão do Tribunal do Júri representa uma etapa importante na responsabilização dos envolvidos pelo assassinato ocorrido há mais de dois anos.