O Tribunal do Júri de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, condenou Tiago Ricardo Felber a 83 anos e quatro meses de reclusão pela morte do próprio filho, Théo Ricardo Ferreira Felber, de cinco anos, que foi arremessado de uma ponte em março de 2025.
O julgamento aconteceu na quarta-feira (4) e durou aproximadamente 13 horas. Segundo o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), o réu foi condenado por homicídio qualificado consumado, tentativa de homicídio qualificado e ameaça.
Além da pena de reclusão, ele recebeu dois meses e 20 dias de detenção. A Justiça determinou o cumprimento imediato da sentença, em regime inicial fechado.
CRIANÇA FOI ARREMESSADA DE PONTE DE 15 METROS
O crime aconteceu em 25 de março de 2025, em São Gabriel, na região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Théo estava sob os cuidados do pai quando foi arremessado, ainda vivo, de uma ponte sobre o Rio Vacacaí, de aproximadamente 15 metros de altura.
O laudo pericial apontou que a criança morreu em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado pela queda.
As investigações também revelaram que, no dia anterior ao assassinato, o homem havia tentado matar o filho por estrangulamento.
CRIME FOI MOTIVADO POR VINGANÇA CONTRA A EX-COMPANHEIRA
Segundo o Ministério Público, o condenado cometeu o crime com o objetivo de provocar sofrimento à ex-companheira, mãe da criança, após o término do relacionamento.
A investigação apontou que Tiago não aceitava a separação e utilizou a violência contra o próprio filho como forma de atingir emocionalmente a mulher.
O caso ganhou repercussão nacional e passou a ser citado em discussões sobre a violência vicária, caracterizada pelo uso da violência contra filhos ou outros familiares para causar sofrimento a uma mulher.
JULGAMENTO DUROU MAIS DE 13 HORAS
A sessão do Tribunal do Júri começou pouco depois das 10h de quarta-feira e terminou por volta das 23h.
Durante o julgamento, foram ouvidas oito pessoas, incluindo a mãe de Théo, testemunhas da acusação e da defesa. O réu também foi interrogado.
Após a apresentação das provas e os debates entre acusação e defesa, os jurados decidiram pela condenação.
A acusação foi conduzida pelas promotoras de Justiça Maria Fernanda Rabelo Ramalho e Graziela Lorenzoni.
JUSTIÇA DETERMINOU INDENIZAÇÃO À FAMÍLIA
Além da condenação criminal, a Justiça estabeleceu uma indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da criança.
Também foi determinada a execução imediata da pena. Tiago já estava preso enquanto respondia ao processo.
O caso foi apontado pelo Ministério Público como um dos episódios que contribuíram para a criação de legislação específica de enfrentamento à violência vicária no Brasil.